O Tantra nosso de cada dia

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Após um longo dia, respondendo a diversos emails sobre o meu texto “O que aconteceu quando decidi encarar um curso de massagem tântrica” para o site pop Casal Sem-Vergonha, eu fiquei absolutamente impressionada com a quantidade de pessoas querendo saber como é que eu fui parar no Tantra. O que é o Tantra e como “adaptar” um conceito tão milenar à vida urbana.

Considero uma calúnia eu tentar explicar “do meu jeito Helenístico” sobre o Tantra. Então, como sempre, prefiro falar sobre a minha experiência. Sem certos ou errados. Até porque sou péssima em teorias, nunca me lembro de nomes e datas históricas (só sei de cor e salteado as datas de aniversários dos que eu amo). Deixo este conteúdo rico e sagrado para o Mr. Osho e Mr. Ananda Prem.

O jeito mais fácil que encontro para traduzir o principal, “o basicão” do que experimentei neste um ano estudando o Tantra é belamente traduzido na música Shake it Out da (diva divina) Florence:  (tradução da letra aqui)

A parte desta música que eu grito como se fosse um hino tântrico da minha vida, é:

And I’m ready to suffer
And I’m ready to hope
It’s a shot in the dark aimed right at my throat
‘Cause looking for heaven, found the devil in me
But what the hell
I’m gonna let it happen to me

Shake it out, shake it out

Em 2004, comecei a ler sobre Taoísmo e me interessei muito. Passados dois anos, cheguei ao Tantra. Fiz um curso em uma escola esotérica, mas eram tantas informações, divindades, mantras e etc que após três meses perdi totalmente o interesse.

Conto mais detalhadamente em meu livro como voltei ao Tantra no ano passado. Mas ao longo desses dez anos li sobre muitas coisas que amadureceram alguns conceitos para minha vida. Então quando me deparei com o Tantra novamente, tudo o que eu havia lido e estudado até então se interligou. É como um ovo que serve para dar a liga na massa, sabe? Eu só tinha os ingredientes em pó e um pouquinho de leite e de repente,  joguei o ovo lá e comecei a mexer – shake it – e pá… criei a massa. E o melhor de tudo: o conteúdo é 100% prático. Portanto era só eu me mexer na minha vida para formar “a massa” que a tanto tempo eu estava tentando fazer.

Como a sorte sempre anda ao meu lado, eu fui parar no lugar certo e com um professor sério que usa uma linguagem simples para explicar o complexo. Ele conhece como ninguém todas as vertentes e tudo o que há por aí. Viveu na India e estuda sobre o Tantra há mais de trinta anos e ainda tem a humildade de dizer: “quanto mais sei, descubro que menos sei”. Infelizmente, no mundo todo, mas principalmente aqui no Brasil, há muitas conotações equivocadas sobre o Tantra. A sexualidade é constantemente abordada e o pior, de forma errônea. O Tantra é você com você. Sua mente, suas emoções, seu corpo, sua vida. Como diria o mestre AP (Ananda Prem): “não tem nada a ver com o outro”.

É você na sua vida se assistindo, se observando, se admirando, se amando e quando encontra “uma sombra”, “um defeito”, “um sofrimento”, “uma dor”… respira e transcende (AP). Não se apegue. Reconheça e leve amor. Seja lá o que for. Esteja presente. Seja presente. Tem esta frase que adoro porque traduz bem esta ideia:

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Como eu estava passando por muitos perrengues de saúde e sempre li muuuuito, mas muito mesmo sobre as ligações entre as nossas emoções e as doenças, o Tantra caiu feito uma luva porque o corpo é o templo a ser cultivado. Os ingredientes para desenvolvê-lo da melhor forma em minha vida, eu já tinha: meditação, yoga, autoconhecimento e uma vontade suprema de me transformar em um ser humano melhor para mim mesma e consequentemente, um ser melhor também para o mundo.

O Tantra me inspirou tanto mas tanto que me permiti voltar a fazer tudo que sempre gostei mas “porque tinha que”(nossas obrigações que levamos com a barriga) eu havia deixado de lado. Entre esses prazeres, o de escrever com o coração e do meu jeito, como estou fazendo neste site.

Foi uma bomba que explodiu dentro de mim e consequentemente na minha vida, porque olhar para dentro e se deparar com todo lixo que carregamos dentro de nós não é uma tarefa fácil e certamente é um trabalho constante e que levarei para o resto da vida. Mas como digo para todos, valeu a pena, porque eu nunca senti esta plenitude, destemida e inspirada a viver neste mundo como passei a viver desde que me permiti mergulhar dentro de mim mesma. Certamente a terapia mais profunda que já fiz. O livro mais sincero que já li. As lágrimas mais sofridas que já chorei. A respiração mais profunda que já dei. E, sem SOMBRAS de dúvidas, a verdade mais dura que já ouvi.

A vida ganha um colorido. A dor que chega é curada (e não mais psicosomatizada pelo corpo). Descobri meus limites. Meu centro. Aceitar quem sou e viver harmoniosamente com isso, sem lutar contra o meu próprio coração. Ele é o órgão que bombeia a vida que corre nas minhas veias. São as células do coração as primeiras a pulsarem no ventre da mãe. É nele que começou a minha vida e é nele que quero confiar para seguir vivendo. Esta é a escolha que fiz.

Termino com outro hino da minha vida desde 2010! Este é meu hino de fé, porque olha, tem coisas que só Deus mesmo pela causa, risos!

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5 thoughts on “O Tantra nosso de cada dia

  1. Helena preciso do seu livro. Ler sua trajetória nessa campo, creio q será esclarecedor e iluminador no meu caminho…
    Grata por escrever. E por compartilhar tua experiencia…

  2. Helena é uma pessoa fantástica cheia de boas histórias e uma energia incrível.
    Quem puder e quiser, acompanhe seus textos e experiências que vale muito a pena.

  3. Digo que Helena foi ao mar com um copo e achou que era pequeno demais, voltou então com uma garrafa, e viu que sua grandeza não caberia ali dentro, experimentou mais uma vez com um balde e mesmo assim parecia pequeno. Foi então que ateou fogo em tudo o que lhe prendia na terra, inclusive a si mesma, e em um mergulho foi habitar com os peixes e fez das águas a sua morada.

  4. Querida Helena,
    Nunca tinha visitado seu site e acho que o encontrei na hora certa. Tenho me sentido muitos sensível e cheia de emoções misturadas que nem sempre consigo lidar. Gostaria muito de saber aonde você realizou este curso. Você poderia indicá-lo?
    Obrigada
    Carol

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