Karma & Dharma

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{Trilha Sonora}

Mesmo os não místicos se referem à zicas da vida como karma. Citam pessoas, como “fulano é meu karma”. Doem meus ouvidos quando ouço essas citações até porque este papo de karma sempre me intrigou. Quem tá afim de entender o que está fazendo vivo neste planeta acaba caindo nos papos profundos existenciais e seus inevitáveis karmas & dharmas.

Vamos lá, buscarei a forma mais simples para tentar explicar o pouco que sei. Karma e dharma são apenas lei da ação e da reação. Portanto, se você chama alguém da sua vida de karma, fique atento! Os dharmas são as coisas boas que chegam fácil para você, você faz mínimo esforço e é master recompensado. MAS, se você não vive seus dharmas, cria novos karmas.

Tudo na vida funciona em ciclos. O funcionamento é cíclico, portanto podemos chamar de padrões. Quando termina um ciclo começa outro. Porém a pegadinha é: nós agimos de forma inconsciente. O automático do dia-a-dia nos cega e se não estamos despertos o suficiente e assim, muitas vezes não percebemos que de tempos em tempos tudo está a se repetir. O padrão de nossas reações é o mesmo. O cenário, as pessoas, as situações são diferentes porém o sentimento de “estou numa cilada” ou de “ganhei de novo um presente do divino” são os karmas e dharmas de sua vida!

aE como quebrar esses padrões ou karmas? Querido leitor, podemos passar a vida inteira repetindo eles sem nem nos darmos conta. Podemos até fazer regressão de vida passada, mas cá entre nós: mal dá para resolver esta vida, para que chafurdar outras? Pouco importa o que aconteceu lá atrás, o importante é trazer a atenção para esta vida, resolver, viver e se conscientizar do bla bla bla no AGORA. Se você tem um pouco de amor próprio buscará por alguma meditação que faça a sua mente sair do vasto mundo dos pensamentos e te levará para algum lugar de sabedoria dentro de si. Neste cantinho especial, você começará a ter insights e, com a prática, conseguirá sair da micro visão para a macro. Uma vez que você se torna consciente, se cura e pára de repetir “o mesmo mi mi mi” de sempre.

Para ficar menos abstrato lhe contarei um exemplo meu:

Eu sempre tive facilidade para fazer amizades verdadeiras e profundas. Sempre! Eu facilmente me envolvo com pessoas e rapidamente crio laços sinceros e profundos. Posso chamar isto de dharma. Porém, levei mais de três décadas para entender os ciclos da vida. Então posso dizer que meu grande karma nas amizades sempre foi ser apegada a pessoas. Por amá-las na minha intensidade queria garantí-las ao meu lado para sempre. Porém é inviável. É um suicídio! Por nunca aceitar que certos ciclos naturalmente se fecham, dos meus 13 anos até meus 32 carreguei caixas e malas com fotos e cartas de momentos especiais com amigos (além da caixa “cemitério de ex-namorados”). Até que um dia, após anos de meditação e mudanças, me dei conta que boa parte daquelas pessoas já não fazia mais parte da minha vida. Por que raios eu carregava aquele povo todo comigo?

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Dos 19 aos 22 anos quatro grandes amigos da mesma idade que eu morreram. Lá começou meu processo de aceitar o fim de relacionamentos e seus ciclos naturais. Minha maior dificuldade ainda foi aprender a me deixar fluir com o encerramento de relações com pessoas vivas. Sofri muito. Cada amigo que “perdi” ao longo da estrada foi uma dor muito profunda. Mas, por outro lado, quando desapeguei, quando acordei para este padrão que eu carregava dentro de mim (e das pesadas malas e caixas), finalmente, fiquei leve. O que era doloroso, virou uma força: sei que sobreviverei, sei que se encerrou só mais um ciclo!

Passados seis anos da minha vida de cigana (vivi em dez casas e quatro cidades diferentes neste período) percebo que há pessoas que eu tinha perdido na estrada e nos reencontramos mais na frente. Outros ficaram para trás e não sei se voltarei a ver. E a melhor parte, há os que posso contar apenas nos dedos de uma mão e estes sei que são para além da vida inteira. São relacionamentos extremamente profundos a tal ponto que posso ficar dias, meses sem falar, mas quando falo é como se não houvesse tempo ou espaço. O melhor foi descobrir o que é o amor para além de seu significado. O que sinto e o que tenho com estas pessoas simplesmente não cabe em palavras.

Após cair em mim mesma e modificar a minha forma de lidar, aprender a confiar em uma sabedoria maior que desconheço, devo dizer que comecei a lidar de forma desapegada com os novos relacionamentos que surgem. Agora, eu chego de braços abertos, abraço e diferentemente do passado, volto a torná-los abertos. Como o Cristo redentor (aqui em Lisboa tem um também): peito, coração e braços abertos. Que fique perto o tempo que for necessário e que se vá embora em sua certa hora…

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