Incêndio: de lagarta à borboleta

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{Trilha Sonora}

“Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante/do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo/sobre o que é o amor/sobre o que eu nem sei quem sou”

Ah, a vida é mesmo uma fantástica aventura!

Aqui quem vos escreve é uma sobrevivente, vítima de um incêndio! Vítima do incêndio sim, mas jamais da vida. Tudo aconteceu de uma forma tão intensa e rápida que demorei semanas para conseguir processar e escrever a respeito.

Uma grande amiga que acompanhou esses meus episódios de “sem chão” me orientou: releia seu último post “Revolution ≠ Re-Love-ution”, você escreveu inspirada pela tragédia da Bélgica mas eram palavras futuras para si mesma. Ah, essa minha sabedoria interna… como sou grata! A mesma pessoa que existe em mim que escreve essas coisas deve ser a mesma que me fez comprar a vela da Rituals chamada “Sacred Fire” (fogo sagrado) que eu usava para rezas, meditações e rituais. A sala da casa onde eu fazia tudo isso é colada a um apartamento que virou pó. Enquanto, do lado de cá do apartamento, somente a fumaça deixou tudo negro mas nada, absolutamente nada, queimou (por sinal escrevo-lhes do meu computador que parece ter mais vidas do que um gato, thanks God!).

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Algumas horas antes do prédio pegar fogo, eu tinha saído para jantar e voltei de carro com um amigo; cantávamos alegres a música que tocava no rádio: “Set Fire to the Rain”  de Adele. Sinais? Pode ser, mas eu não percebi. Nunca achamos que este tipo de tragédia acontecerá com nós mesmos, e eu não fui excessão.

Lúdica ou não, eu sei que foi por sorte e proteção divina que não morri. Supersticiosa ou não, tenho certeza que minhas rezas contribuíram para manter meus pertences e os da casa intactos. Simpática ou não, tive a sorte de estar rodeada de pessoas extremamente generosas que me ofereceram literalmente: casa, comida e pijama lavado. Mesmo rebelde e insistente em me manter na cama sonhando deliciosamente bem, meu amigo me arrancou da cama pelo braço.

No dia seguinte, quando descobri que sobrevivi ao pior incêndio da cidade nos últimos 30 anos me dei conta que tinha renascido. Que a vida me acenava mais uma vez me dando uma nova oportunidade. Que minha vida foi salva por alguém ainda mais teimoso que eu. Me vi de pijama na rua, desejando apenas por um abraço e uma sopa quente. Me dei conta que passamos dias preocupados com logísticas que não fazem sentido. Se eu tivesse morrido, certamente não teria ido para o céu… Se a nossa “alma” é a nossa mente, a minha estava seriamente preocupada em não perder a hora para a feira de orgânicos na manhã seguinte (por isso a insistência em me manter na cama dormindo). Que sentido e importância isso tem diante da vida?

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{Transformação é mais sobre desaprender os aprendizados. – Richard Rohr} Se antes de ser uma borboleta, ela era uma lagarta que andava lentamente, agora ela precisa desaprender a andar e aprender a voar…

Eu nunca tive medo de morrer, pelo contrário, meu pior medo sempre foi viver, ser quem sou, experimentar coisas novas, correr riscos, quebrar a cara e mudar, transformar… mas nos últimos anos aprendi a viver. Aprendi que somos um ciclo constante de lagarta e borboleta. Descobri o que inspira minha existência, aprendi que o meu corpo é meu bem mais precioso, que minha espiritualidade é o que me centra, que meu anjo da guarda tem muito trabalho e que, não importa o que eu viva, o que eu tenha de material… estou aqui para experimentar, e o mais importante, viver o agora. Se eu ficar alegre, melhor ainda, porque coisas mágicas e milagrosas surgem.

Cá estou eu, uma fênix! Se me mudei para cá com 50 kg de bagagem, agora sou um ser com 15kg de bagagem… mas no meu coração carrego uma gratidão de toneladas pela oportunidade de mais uma vez poder recomeçar. Nunca senti esse gosto tão intenso em minha boca. Posso revelar que é um nectar divino…

Em breve escreverei sobre as coisas que “salvei do incêndio”. É uma surpresa como nossa cabeça funciona diante dessas situações… cenas do próximo capítulo.

{Dei uma entrevista à TV local falando sobre a minha experiência em entrar no apartamento após o incêndio, se quiser assistir, clique aqui}

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2 thoughts on “Incêndio: de lagarta à borboleta

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