Histórias de Sophia II – Bolhas Coloridas

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{Trilha Sonora}

Sophia chegou em casa no final da tarde, após um belo dia de sol que aproveitara no jardim com seus amigos. Encontrou sua mãe na cozinha que preparava o jantar e ela lhe perguntou:

– Onde a senhorita andava para estar tão suja assim?

– Saí da escola e fui com meus amigos procurar morangos, no caminho encontramos um terreno cheio de árvores com frutas. Passei a tarde toda subindo nas árvores e comendo suas frutas. Então não estou com fome para o jantar.

– Quais frutas você comeu?

– Comi morango, jabuticaba, pêssegos e mexerica. Vou tomar banho, mamãe.

– Vá e volte para se sentar à mesa conosco.

Ao caminho do quarto Sophia ouviu um barulho, era seu avô consertando uma caixa de música. Ela entrou em sua oficina e perguntou:

– O que fazes, vovô?

– Estou consertando uma caixa que toca música. Vem cá, deixa eu te mostrar…

Sofia se aproximou e viu diversas ferramentas e parafusinhos miúdos, e seu avô lhe explicou:

– Cada um deles tem um local exato para ser encaixado. Nem maior nem maior, mas perfeito.

– Nossa, vovô, mas como você consegue saber? Como pode passar o dia todo mexendo nisso?

– Eu amo fazer isso, para mim é como se fosse um jogo de quebra-cabeças. Qualquer um de nós consegue fazer o que quiser, portanto que façamos de corpo e alma.

– Como assim de corpo e alma?

– Com concentração e dedicação. Quando alinhamos nosso corpo e nossa mente para uma tarefa, nós transbordamos bolhas mágicas e coloridas por causa da nossa boa intenção.

– Como você sabe se está transbordando as bolhas se não consegue ver?

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– Você sente dentro de você a calma e o entusiasmo e isso é o amor que está vibrando para você realizar esta tarefa.

– Hummm, acho que transbordei essas bolhas hoje enquanto subia na árvore e comia jabuticabas com os meus amigos.

– Sim, minha querida! Quando estamos fazendo coisas que gostamos sempre estamos transbordando essas bolhinhas coloridas e mágicas. Por isso, sempre busque por elas no que quer que tenhas que fazer, porque mesmo tarefas chatas se feitas com concentração e dedicação se tornarão legais e você transbordará essas bolhinhas. Foi assim que aprendi a gostar de matemática. Eu nunca gostei, por isso eu precisava do dobro da minha atenção para entendê-la, até o dia que descobri o meu jeito de fazer eu e ela nos entendermos. Quando a força do pensamento “agora vamos nos entender para fazer isso dar certo”é como se um raio azul saísse de dentro da gente e nos ajudasse…

– Raio azul, vovô? Não eram bolhas?

– O raio azul já é outro assunto… outra hora te explico com mais calma, mas agora vai tomar banho e encher seu corpo de bolhas de sabão e de bolhas coloridas mágicas neste banho…

– Será que ficarei mais limpa se colocar minha atenção e dedicação e transbordar as bolhas invisíveis?

– Tenho certeza que sim, minha querida!

E assim foi. Sofia nunca usufruíra tanto de um banho até então. Ensaboou cada milímetro do seu corpo, sentiu prazer na queda da água quente, se deleitou com o cheiro do sabonete de erva doce, cantou e se divertiu. Quando se deu conta de sua alegria em tomar banho teve a certeza que estava novamente transbordando as bolhas mágicas e coloridas que seu avó lhe contara. Espiou pela janela do chuveiro e viu a paisagem com o sol se pondo no horizonte. Desligou o chuveiro, ouviu o silêncio e sorriu para o entardecer.

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